Painel da EXPOSIBRAM 2025 discute novos caminhos de financiamento para projetos de mineração no Brasil
Como ampliar o acesso a recursos e atrair novos investidores para o desenvolvimento de projetos de mineração no Brasil? Esta foi a pergunta central do painel “Incentivos e Mecanismos de Financiamento para Projetos de Mineração no Brasil”, realizado na tarde desta quinta-feira (30/10), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2025), no Centro de Convenções Salvador.
Moderado pelo diretor de Assuntos Minerários do IBRAM, Julio Cesar Nery Ferreira, o debate reuniu representantes do BNDES, da Toronto Stock Exchange (TSX), do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e da Ore Investments, que compartilharam experiências e modelos de financiamento aplicados no Brasil e em outros países.
Ao abrir o encontro, Nery destacou a importância de criar condições que favoreçam o acesso de empresas brasileiras, especialmente as de pequeno e médio porte, a diferentes instrumentos financeiros. Ele ressaltou o papel do IBRAM em fomentar a interlocução entre governo, mercado e agentes internacionais para fortalecer a base de financiamento mineral e garantir o desenvolvimento de projetos alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança.
O chefe do Departamento de Indústrias de Base e Extrativa do BNDES, Flávio Moraes da Mota, explicou que o banco trabalha com uma carteira ampla de instrumentos, voltada a empresas em diferentes estágios de maturidade. “As grandes mineradoras, com balanço sólido e fluxo de caixa regular, conseguem acessar crédito estruturado com prazos e taxas competitivas, mas, para as empresas em estágio pré-operacional, o instrumento mais adequado costuma ser o de capital, e não o de dívida”, observou.
Critérios de viabilidade
Mota lembrou que os projetos financiáveis precisam demonstrar viabilidade econômica, regularidade ambiental e compromisso com as comunidades do entorno. “Não existe licença social formalizada, mas ela é fundamental. A boa relação com a sociedade e a transparência nas ações são determinantes para o sucesso de qualquer empreendimento”, completou.
Na visão do sócio e CEO da Ore Investments, Mauro Barros, o desafio de financiar a mineração no Brasil passa por superar gargalos históricos que dificultam a entrada de capital privado, especialmente nas fases iniciais dos projetos. Ele explicou que a Ore é a primeira gestora independente do país focada exclusivamente em investimentos no setor mineral. “Trabalhamos com fundos de longo prazo, com filosofia técnica e conservadora, avaliando desde a pesquisa até a operação. O setor mineral tem enorme potencial, mas exige governança, paciência e visão de futuro”, observou.
Barros também destacou que, embora o Brasil tenha um setor mineral tecnicamente avançado, o país ainda enfrenta desafios para estruturar projetos que atendam plenamente aos critérios exigidos por investidores. “O investidor quer entender a consistência do projeto, o histórico da área e a maturidade da gestão. Questões como estudos ambientais, relacionamento com comunidades e regularização fundiária são decisivas. O capital está disponível, mas ele busca projetos bem preparados para receber investimento”, observou o executivo da Ore Investments.
Olhar canadense
Do ponto de vista internacional, o head para a América do Sul da Toronto Stock Exchange e TSX Venture Exchange, Guillaume Légaré, compartilhou a experiência canadense na construção de um ecossistema sólido de financiamento à mineração. “No Canadá, há décadas, os mercados de capitais e o investidor apoiam o setor mineral, inclusive nas fases de exploração. Esse modelo ajudou a consolidar uma base de confiança que poderia inspirar o Brasil”, sugeriu.
Segundo Légaré, a TSX tem trabalhado para aproximar investidores globais de projetos brasileiros e latino-americanos. “Mais do que conectar ativos a capital, trata-se de criar relações de longo prazo e preparar as empresas para acessar o mercado internacional”, disse.
Setores estratégicos
O representante do Banco Europeu de Investimentos (BEI) no Brasil, o português Marco Diogo, destacou que a instituição tem aumentado sua atuação em setores estratégicos ligados à transição energética, com foco em sustentabilidade, inovação e tecnologia.
Diogo apontou a América Latina como uma região com forte potencial para receber novos investimentos. “Há grandes oportunidades de cooperação entre Europa e América Latina, especialmente em mineração, energia e reciclagem. O BEI atua como um facilitador dessas parcerias, combinando instrumentos públicos e privados para financiar projetos com impacto ambiental positivo”, explicou.
No encerramento do painel, Julio Cesar Nery enfatizou que a diversidade de mecanismos apresentados demonstra a importância de o Brasil fortalecer sua estrutura de financiamento mineral. “Precisamos de um ambiente mais preparado para atrair investimentos, com segurança jurídica, previsibilidade e mecanismos que conectam os projetos brasileiros ao capital global. Esse diálogo, liderado pelo IBRAM, é fundamental para o futuro do setor”, concluiu.
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A EXPOSIBRAM 2025 tem o patrocínio de: BHP; CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral; Governo do Estado da Bahia; Hydro; Vale (Patrocínio Master); AEOLUS; CMOC; Ero Brasil (Patrocínio Diamante). Bahia Gás; Elecmetal; Huawei; Hexagon; U&M (Patrocínio Platina). Anglo American; Kinross; Nexa (Patrocínio Ouro). EF Energy Fuels; Geosol; Mineração Usiminas, Petrobahia (Patrocínio Prata). Accenture; Alcoa; Armac; CBMM; CBA; Hatch; Taboca; Mosaic; Samarco (Patrocínio Bronze).
O evento tem apoio institucional de: 2A+ Mineração; Associação Baiana de Engenheiros de Minas; Associação Baiana de Geólogos; Abimaq; Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração; ABREMI; ACMinas; Amcham; Apemi; BCCC; Cetem; Confea; Crea-BA; Mutua BA; Câmara de Comércio Brasil/Canada; Opus Ratios Scientia; Febrageo; FIEB; FIEPA; Mining Hub; OAB São Paulo; Sociedade Brasileira de Geologia Núcleo Bahia-Sergipe; SINDIMIBA; Women in Mining Brasil.
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